Hoje abro espaço para um post autoral, mas que não deixa de ser uma forma de terapia: a escrita. Escrever alivia tensões, nos faz refletir sobre as sensações e identificar padrões a serem trabalhados. Escrever é também desabafar, é deixar fluir o que estava guardado a sete chaves. O depois pode ser deletar tudo ou rasgar o papel, compartilhar com os amigos, com os desconhecidos, talvez publicar... Ou guardar no baú de memórias, para anos depois, reler e rir muito ou chorar. Toda forma de expressão é válida. Que tal tentar também?
Estive refletindo sobre meus filhos... Para mim, eles vêm como as estações.
O Luan, por exemplo, foi concebido entre a suave primavera e o calor do verão, quando fervilhavam novidades e toda sorte de flores e frutos na minha vida. Acabara de tomar decisões importantes, como sair de casa e mudar de cidade, assumir uma relação mais séria e finalmente fazer o curso que tanto desejava. Daí, ele surgiu na minha vida, coroando tantas mudanças, tantas novas cores e formas de ver o mundo.
Foi gestado no outono e, tal qual as árvores que abrem mão de sua folhagem esplendorosa, ressecam e quase murcham, eu abri mão de projetos, expectativas, alguns sonhos e muitas ilusões. Eu chorei, achei que estava deixando de ser eu mesma... E, de fato, estava: já não havia espaço para a adolescente displicente, eu me tornara mãe, uma mãe sempre atenta, sempre a postos.
Eu me recolhi no inverno gelado, elaborei tudo isso e entendi o propósito. No final do inverno, o Luan chegou, trazendo com ele os raios de sol... Ele derreteu a crosta gelada que eu deixei se formar, espantou o céu cinzento e me fez sorrir de novo. Luan diariamente me ensina sobre o poder da transformação, do deixar fluir e viver cada fase com amor e entrega.
O Ariel foi concebido em pleno verão, com seus tons fortes, quentes. No auge da minha sede por viver a vida de forma plena, desfrutá-la ao máximo, absorver cada gota... Acabara de sair de um profundo mergulho no meu ser, estava me redescobrindo e ele veio me acompanhar nessa redescoberta.
Também gestado no outono, aos poucos foi mudando os tons, amarelando as folhas, as idéias, os planos tingidos de vermelho e laranja do verão. Ele me ajudou a modificar a paisagem da minha vida, trazendo a tranqüilidade do deixar partir, do escorrer entre os dedos, do desapegar. Mas esse desapego gelou meu coração e abriu as portas pro inverno.
Tudo em volta se tornou pálido e frio. Era hora de escolher entre migrar como os pássaros, em busca de terras mais acolhedoras ou hibernar como os ursos, sabiamente guardando energia para a estação vindoura. Apesar da paisagem em volta ser gélida e hostil, eu escolhi ficar. Escolhi o recolhimento e segurança da minha caverna quentinha, escolhi mergulhar no mundo dos sonhos, absorver o prana de cada sopro gelado das palavras não ditas, dos olhares furtivos, dos abraços não dados.
Na certeza de que o sol há de brilhar mais uma vez, eu busco o abrigo e a quietude do silêncio, ouço apenas o que me diz meu anjo Ariel, leão de deus, defendendo nossa caverna. Ele chegará com a primavera, trará as cores da nova vida, trará a luz da nova estação e novamente aquecerá meu peito. Ele me ensina a ser grata por tudo, independente do que seja, é parte da minha força, minha maior virtude. E junto do Luan, eles abrem caminho para uma trilha de infinita sabedoria, doação, amor incondicional... Eles me ajudam a abrir os olhos e de fato ver.

...porque em seu caminho tem sempre a orientaçao dos seres de Luz , e havia dois (Luan e Ariel) esperando o momento em que uma pessoa especial, estivesse pronta para ser o veiculo que os colocassem em nosso convivio. VOCE foi escolida por ser este SER como eles, tao ILUMINADA.
ResponderExcluirLindo Nicole!!
ResponderExcluirFiquei emocionada!
Beijo no coração